Archive for the 'Uncategorized' Category

02
Dec
19

à multirio com amor

bom dia e obrigado pela visita

26
Nov
19

Jesus!

bom dia,

jesus sofreu por que não conseguia pegar mulher! repare bem os indícios…

andava cercado de nerds….
tentava aprimorar suas habilidades místicas e sociais o tempo todo…
até pro deserto ele foi… tacar fogo no arbusto!

jesus era um cara bem legal, pena que não pôde ver mulher…

naquela época era um pecado mortal ter liberação de costumes.. imagina…
a vizinha saindo pra night na galiléia… tremendo apedrejamento no dia seguinte!
ninguém era de ninguém e a lei do vizinho mal comido era a regra du jour!

e o cara era o tipo que ajudava prostituta. andava com cego.
era todo gente fina! aí nego começava aquela merda…
“é todo santinho, mas e a castidade, hein jésa??”
e ele ficava meio bolado… tentando não entrar na pilha…
“porra pai… eles não sabem o que estão dizendo…”
mas o pai também não tava nem aí!…

cara, é só ver.

no final ele já tava até meio cagando… “foda-se também! eu carrego essa porra dessa cruz! enfia no rabo!…” nem se surpreendeu com o judas “também… bando de marmanjo enfrunhado num quarto, bebendo vinho e comendo peixe com pão, peidando pra caralho!” deu até beijo no cara… bebaço! “ahh! de repente eu sou gay, sei lá! pode ser, por que não??…saco cheio dessa solidão, cara!”

e aí penduram ele na cruz, enfiam uma lança nas costelas do cara.
botam na conta dele tudo de mal resolvido que tinham no mundo…

“…mas eu volto uma hora, seus putos!…
vou comer todo mundo quando as mulheres tiverem mandando! no tinder…
tu vai ver…”

obrigado pela visita

18
Nov
19

sieg heil, sr crispim

bom dia,

senhor crispim odeia pegar o ônibus.

sempre foi bom pagador. nunca atrasou uma conta….
aqueles velhos que ficam domingo com a bola de fora do short, sem reparar.
molhando as plantas… botando água pros passarinhos.

chegava almoço de domingo, sr crispim tocava uma valsa de manhã pra família.
tinha sido pé de ouro no baile de quinta, não é dona odete?

é.

mas senhor crispim não gosta muito de encostar em gente agora, né dona odete?

é…

sr crispim cresceu no suburbio. vila militar. tudo ali era ordeiro.
sempre agiu como se a pobreza fosse uma escolha. “tem que trabalhar, ué?”

fez faculdade quando não foi aceito no exército.
assumiu o escitório do pai cedo e aprendeu a tocar os negócios.
não ia no carnaval. tinha pé chato.
não dava tempo. e não gostava, também…
mas mais do que tudo, detestava o ônibus! sempre lotado!
gente pobre tem um cheiro forte de quem não tomou banho depois de suar.

hálito de gente que fala perto demais…

mas o jovem crispim deixou aquilo tudo pra trás quando se casou com odete, filha de um amigo negociante da mesma escola de vôo do avô de arthur, o primeiro filho do casal. torcedor do vasco. ainda lava o carro todo domingo na calçada em frente ao portão.
o primeiro carro que ganharam foi pra comemorar o menino.

e assim, nunca mais pegou o coletivo.

o pai dele pagava mal pros empregados. mal pagava.

ele não. os empregados dele são quase família. tem quarto na casa e tudo… ninguém pode reclamar.

aí vem um empregado e quer feriado!
…feriado é dia de almoço da família!

e mesmo assim com a familia em casa, todo domingo – algumas pessoas até já viram, mas ninguém comenta pra não incomodar o velho… “tá só pegando um pouco de sol, o seu crispa, esse vai viver muito!” – sr crispim escapole duas quadras até uma avenida um pouco mais movimentada e faz sinal pra todos os ônibus que passam. não entra em nenhum. diz que se enganou da numeração. o motorista nem liga. já sabe que é coisa do velho.

mas é que ele gosta de uma rotina. não foi militar, mas tem disciplina, até com o que dá prazer. uma vez só na semana. ele faz pelo gesto de parar o ônibus… mania boba de velho.

aquela mão militarmente erguida dando ordem pra um bando de gente pobre dentro de um comboio que vem no fim de semana para servir a ele e sua estrata da sociedade.

é isso aí…

sieg heil, sr crispim.

obrigado pela visita

11
Nov
19

os índios da ilha tunali

bom dia,

a américa inteira é india.

do norte ao sul. do ponto mais extremo do que eles chamam de groelandia até a ponta mais extrema ao sul da patagônia.

isso inclui o sr. estados unidos. que gosta de se autoproclamar america quase se esquecendo que é só território norte desse mesmo continente, apesar de ter massacrado todos os seus índios e búfalos…

o brasil também massacra seus índios. só não terminou ainda.

eu fiz uma viagem em 2017… fui conhecer o país.
desde adolescente eu tinha curiosidade de um dia sair de casa… pegar o primeiro onibus e seguir…
um dia eu me dei conta de estar ficando velho e por medo de uma hora ficar velho demais pra empreitada, fui.

o Brasil pra dentro não é praia.
Também não é necessariamente floresta.
é fazendeiro, boiadeiro e índio.
índio e boiadeiro e fazendeiro.

mas o branco ainda é branco. o negro ainda é negro.

o índio sobrou meio escondido na terra e espalhado no sangue.

no mato grosso do sul, visitei uma tribo chamada terena….

conheci o sub-cacique. oficial. tipo um sub-prefeito.
falamos de lobo solitário. o quadrinho!
ele se amarrava. me deram almoço. uma carne maneira de algum bicho.
trabalhava como sub-prefeito na tribo e pintor de parede na cidadezinha (de merda, que ainda se dava ao direito de esculachar o povo e eu.
sobre isso eu conto depois)

o cacique era menos acessível… organização social.
me falaram que iam a brasilia exibir uma petição para o fim da obra da clínica. não sei se conseguiram.

na aldeia não haviam ruas. eram casas espalhadas ao longo de um morro…
se andava de moto ou a pé.

terena.

aposto que voce não sabia que havia uma etnia chamada terena… nem eu.
tem muito disso aqui no brasil.
nações inteiras, anteriores ao conceito europeu de país. desconhecidas.

nem sabemos que existem.

aí eu cheguei na bolívia.

e no peru.

lá onde o povo é todo índio.

índios.

bonitos. fortes. coloridos pra cacete, com cabelos pretos.

povo lindo.

o povo da terra. povo da américa.

andando com os filhos em panos por montanhas com cheiro de coca mastigada no canto da boca e comendo milho. e peixe. em tonéis.

essa do desenho é uma tribo em um lugar na amazônia boliviana chamado ilha tunali. lugar lindo… mágico…

e as criancinhas peruanas ficavam falando “água mamá! água!” por causa dos rios… que no peru é tudo seco. outro planeta.

o continente americano é enorme. lindo. a casa de todos os índios do mundo.

e a gente matando eles….

obrigado pela visita

30
Oct
19

medo de mulher

Sempre guardei o que aconteceu na minha infancia só pra mim.

chega. vamos lá.

minha mãe se suicidou quando eu tinha 5 anos. minha irmã viu.
maria lucia já estava tão fora dela mesma, que quando aconteceu fui encontrado andando sozinho,
uns 200 metros do prédio de onde ela se jogou, resgatado por gente que não sabia nem quem eu era.
um menino de rua, talvez…

aquele era nosso primeiro dia no apartamento novo.
dia de comemoração, eu me lembro. pois íamos ter a nossa casa, só nossa.
finalmente.

fui criado por muitas mulheres, lindas, grandes e complexas.

toda pessoa é complexa. a aparência de simplicidade é falta de análise.

antes da minha mãe morrer, nós tinhamos morado no alto da boa vista,
em meio a um monte de gente jovem demais para todas as revoluções que encampavam.

aos 2…3 anos uma moça que cuidava de mim me deitou na cama,
tirou nossa roupa e se deitou sobre mim enquanto minha mãe estava fora com minha irmã.

o mais difícil de um abuso como esse é esquecer o carinho.

dizem que a infancia acaba no momento da sua primeira memória.
e essa não é a minha primeira memória.

naquela época, muito pouco se sabia de psicoanalise na prática.
muitos pais tinham projetos de criar as crianças de formas alternativas…
muitas idéias. muito pouco cartesianismo.
ótimo terreno para pavimentar o caminho até o que se sabe hoje.
mas eu fui cobaia nesse projeto.

e a infancia nunca acabou.

me lembro da vida desde a minha fimose e ainda assim, ando pelo mundo apavorado.
uma criança a 40 anos. e começo a entender que provavelmente eu não vou mudar.

me lembro de andar na floresta com a minha mãe.
Lembro do jeito que o sorriso dela estalava.

morávamos na floresta. eu fazia cocô que nem um filhote de lobo guará na floresta da tijuca e minha mãe sorria. conhecia todas as trilhas que ligavam os morros do rio de Janeiro pelas florestas. antropóloga formada no museu natural da quinta da boavista, que recentemente pegou fogo,
menos uma memória dela.

mas quando meus primos visitaram e eu fiz cocô na floresta, todo mundo saiu correndo de perto.
o menino bizarro crescia.

e meu pai latia para o cachorro no portão da casa na rua do caminho pra creche:
“Daniel de Oliveira Garcia. D.O.G. já notou, cachorrão?”

quando minha mãe e meu pai se separaram, ela nunca mais sorriu com os olhos.
minha mãe sempre foi triste, até quando sua boca sorria pra mim.

era minha melhor amiga.

olhava pra mim com o maior carinho do mundo, mulher gigante,
e seu sorriso triste estalava com uma bolhinha de saliva no canto da boca. pec!

quando minha mãe se matou, meu pai e a mãe da minha mãe (minha avó, mulher linda, fui criado por mulheres e pelos filhos ruidosos de meu avô, os que ficaram depois da morte da minha mãe) iniciaram uma disputa pela nossa alma.

minha avó católica e bonita. culpava meu pai.
meu pai ateu e forte. culpava minha avó.

a guerra dos dois se derramava sobre mim e minha irmã e nos deixou como soldados feridos em campo de batalha para sempre. agonizando.

muitos anos depois meu casamento foi um inferno… agredi minha mulher.
logo eu que fui criado para amar. que li os livros de filosofia dos meus pais. que tirava os talheres da mesa aos 10 anos, enquanto os outros homens iam pra sala satisfeitos do almoço pra assistir o jogo.

procuro quem me fira. só conheço isso.

quero morrer.

mas minha filha nasceu e eu não posso mais, por que amo a pequena.

sou a ultima pedra que chega rolando de longe, de muita dor até uma praia distante.
acredito que a história de pedra quebrada acaba ali.

quero que minha filha seja areia dos fragmentos das pedras que rolaram até a água e das pedras de areia que nasceram do mar. livre dessa caminhada de tornar pedra em lasca. e a areia virar espuma e quem sabe um dia, um neto seja peixe dourado que nem sabe que um dia seu sangue rolou ribanceira abaixo.

é duro deixar de sentir solidão, quando se luta essa luta sozinho.

mas ainda quero morrer. é duro deixar de querer morrer.

agressividade. solidão. egoísmo. medo. fuga.

cometi tantos erros em nome da herança que eu não quero mais carregar e que levo comigo pra sempre,
tão velho e cansado…

muitos anos depois, quando eu finalmente tive coragem de falar sobre a empregada que deitou comigo, meu pai disse que eu devia ter ficado feliz… por que todos os homens desejavam ela.

meu pai sempre foi um general e um grande mestre. sábio.
filho de militar. amante do amor.
às vezes me afastava um pouco quando eu me encostava.
sabia muito pouco de masculinidade tóxica.
eu sei muito pouco também e estou estudando pra ver se evito falar coisas como essa que ele me disse.

tenho medo de mulher.
muito desejo o tempo todo.
observo o mundo através do sexo.

procuro minha mãe desesperadamente em quem eu desejo.

e ódio de homens. medo de desejá-los também. pois desejo tudo.
e assim deve ser. o desejo pela vida, a punção pelos corpos.

já que os homens quando são femininos me dão carinho em forma de abraço,
já que a aproximação de outro homem não guarda rejeição pela minha estranheza e neurose profunda.
não tem abandono que doa no homem.

mas as mulheres percebem meu desespero e se afastam com toda razão.

me sinto júpiter tentando raptar europa e provar que isso é amor.

um amigo, nessa mesma época que conversei com meu pai
me disse que o padrão da pedofilia é a repetição.

tive horror de criança na adolescencia. horror de mim com crianças.

observava as familias de amigos, pra saber o que fazer caso fosse pai
tanto medo que tinha de ficar sozinho com os filhos dos outros.

até ter minha filha.

manuela salva minha vida todos os dias. o presente de deus a um ateu.

não existe pedofilia e insesto. mas o medo está sempre lá.

por que a vida não é curta como esse texto.

e nos intervalos de uma tragédia e outra
O adulto te dá tapa na cara rindo… era piada e eu que não entendia….
outro te levanta pelo pescoço, depois de cheirar cocaína.
outro adulto dá chute em voce quando voce peida deitado no chão
policial te manda abrir a bunda “pra ver se tem bagulho” quando voce tá andando na montanha
nunca te tratam como ser humano completo
nunca te tratam de adulto
tiveram muitos amigos
mas voce anda sempre sozinho
vai mal na escola
se pinta de azul para ver se aparece
é visto, ridículo pintado de azul, logo pela menina mais linda
pega a namorada do melhor amigo
ignora o amor das pessoas que o cercam
se afunda em trabalho e não realiza nada
despreza o amor de quem simplesmente te ama
deixa os amigos e volta só quando precisa
nem se lembra da irmã.
largado na estrada, chovendo, a mãozinha da filha cansada
esperando alguém que não vem…
rouba, quebra, briga e berra sozinho. com ódio.
nunca esquecendo de nada
e nem confiando em ninguém.
e pensa que tudo seria diferente se voce não tivesse nascido.

querendo morrer todo dia.

sem entender nada.

já fazem 40 anos.

29
Oct
19

mulheres árabes

bom dia,

tem uma religiosidade pagã no movimento de quadris da mulher árabe.

ventre de ascendencias arabescas.

cabelos pretos, cheiro de planta exótica e olhos trágicos de rímel.

profundos olhos árabes de cores preciosas.

mãos pequenas, dedos, lábios em flor.

mulher labirinto inacessível.

tenho um medo vertiginoso das mulheres árabes.

obrigado pela visita

21
Oct
19

lancelote

bom dia,

(eu escrevo um diário pessoal nessa porra)

o lancelote é o cavaleiro mais bonito.

o amigo mais leal e o melhor soldado.

o campeão da dama do lago.

ele não tem defeitos.

mas ama a rainha.

que é uma traição.

e a rainha o ama.

que é um pecado.

lancelote é proscrito por escolha própria.

guinevere é entregue ao convento.

tudo em nome do símbolo de arthur.

que não ama. é rei.

na versão do rené barjavel , lancelote perto do fim, desperta da culpa, rouba um cavalo, e nu, invade o convento, liberta guinevere e fogem se amando, cheios de culpa, o reino em chamas, em direção ao sol.

eu prefiro essa versão.

obrigado pela visita





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