Archive for the 'Uncategorized' Category

08
Oct
19

Uma da Manu

bom dia e obrigado pela visita

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30
Sep
19

Pinto de dar corda

bom dia,

o pinto pulava toda vez que davam corda.

o pinto já estava completamente descabelado, mas pulava animado e ria, parecia, com seu jeito esperto e animado de pular sem parar.

completamente dependente da corda dos outros, ele era.

o pinto pulava até a janela e se não estivesse fechada, caía mesmo no meio da estrada… e se não desmontava, ficava caído, meio de lado, chutando o ar como se ainda estivesse de pé. coitado.

mas ninguém pensava “coitado do pinto” o pinto não dava esse direito a ninguém…
“coitado de mim o cacete! eu sou o pinto, porra!”

pinto danado…

o pinto mecânico, vou te falar a verdade, já não tava mais nem a fim de pular muito… teve aquela vez que o gato pegou ele e levou de um lado pro outro lado da sala, jeito novo de andar por aí, carregado… se pudesse, eu acho que não seria ruim não, sabia?… assim, leva pra lá… leva pra cá… fica um pouco sujo, tudo bem… eu sou o pinto! pinto sujo! pinto no lixo! hahahaha
é isso aí… sou eu!

deram uma bronca no gato e botaram o pinto de volta na estante…
(sacanagem…)
no dia seguinte, lá estava o pinto pulando de novo na mão de alguém…
(vambora! pinto que é pinto não desanima!)

o pinto quebrou as duas pernas.
mas ainda davam corda pra ver ele tentando pular…

o pinto rasgou o pelo sintético.
se espantou de descobrir que não era nem pinto!…

teve um dia que deram tanta corda que o mecanismo do pinto estalou.

o pinto nunca mais foi o mesmo…

ninguém sabe se ele ainda pula. o pinto também não faz questão de dizer.

fica lá, deitado de lado, na boca do gato, ou num canto da casa com aquele sorriso de pinto quebrado…

obrigado pela visita

24
Sep
19

O CACHORRO DO CEMITÉRIO

bom dia,

eu nunca lidei bem com a morte.

achava que isso era uma qualidade minha. negar a morte.

uma vez fui ao enterro da mãe de um amigo e uma coisa engraçada aconteceu.

não quis ficar naquela sala. câmara mortuária, olha o nome.
câmara de rituais de concreto, sem afrescos nem cerimônias pagãs de beleza.

odeio o funeral tradicional, suburbano. frio. cisudo. debaixo do sol.

um guardar o corpo na terra e não mais.

não quero ver o corpo morto que nem cera conservada em cima da mesa pra depois ser deixado em uma caixa que nos obrigamos a visitar pela vida toda.

nunca visitei minha mãe.

o enterro da minha mãe foi quando eu era muito novo e não me levaram. na minha mente ela tá sempre aí. pendurada no meu ombro. misturada nas minhas memórias e construções.

na entrada do velório estava parado um cão.

viralatas. sujo de terra.

Fiquei pensando de quem seria aquela terra que o bicho tinha remexido e mesmo assim fiz um pouco de carinho no cachorro preto. comigo é sempre tudo preto.

o cachorro tava animado de estar sujo de terra de cemitério!
quebrando o clima. feliz!

me virei para olhar lá pra dentro e quando voltei os olhos para fora, ele tinha sumido!

pensei em todas as histórias de fantasmas em cemitérios. todas tem o mesmo desfecho. alguma dança de caveiras ancestral nas florestas escuras da noite da alma…

ah não… lá estava ele.
bem mais lá na frente, já… não era fantasmo, era só rápido.

ótimo motivo pra me afastar dali… brincar com o cachorro. bati palmas e pulei de um pé para o outro, é um velho truque, como quem diz “pode até pular na minha camisa, cachorro! tá tudo certo entre a gente”

foi aí que o cachorro preto parou. olhou pra mim e disse:

“ei cara. você está negando essa coisa toda da morte. tudo bem.
mas eu não vou participar, fazendo uma dancinha.
vá lidar com as suas questões. vai te fazer bem”

o corpo seria cremado e as cinzas levadas a um lugar que faça sentido deixar.

pensei na minha mãe. que podia ser aquela mulher. mãe do meu amigo.
e chorei na presença do corpo invisível da minha mãe.

feliz pelo meu amigo e a homenagem que sua mãe ganhou.
triste pela pessoa inteira que ele perdeu.

quando saí dali o cachorro tinha sumido.

eu tinha guardado esse texto a alguns anos, esperando a hora de postar, por que não estava a fim. como eu disse a alguns posts, tudo que eu eu produzo é muito pessoal e estava achando que meu egotrip já estava ficando velho.

mas com todas as mortes no brasil e principalmente no estado do rio, senti que era hora de falar sobre morte, mesmo que seja, mais uma vez, por uma ótica pessoal demais. sempre escrevo aqui da perspectiva do homem comum que eu sou, não tenho como sentir o que é para a família a morte de uma criança de 8 anos… fiz o que pude.
posso falar sobre o assunto. dar dimensões a ele.

e já que voce chegou aqui, foi paciente a esse ponto, eu te deixo uma moral para pensar:

a morte nunca nos deixa. um erro agora vai ficar com os envolvidos para sempre.
devíamos estar construindo espaçonaves e não essa herança maldita.

vão se tratar. todos. eu me trato.

obrigado pela visita

15
Sep
19

botando coração no espeto

bom dia,

a gente podia não ter o remédio,
mas sem dúvida tinha o veneno um do outro.

obrigado pela visita

08
Sep
19

A noite escura da alma

bom dia,

a vida é um adversário que nos cabe vencer.

um pássaro preto com a asa quebrada, aprendendo a voar.
a loucura. a solidão. o medo.

o medo do outro. o medo de si.

pra onde nós vamos agora? pra onde nós vamos no fim?
aonde nós vamos terminar?

um pássaro preto. se lembre. com a asa quebrada.
no meio da floresta. sonhando em apenas voar.
a realização do que é sua natureza é seu sonho.

um pássaro preto, no fim de tudo, sozinho.

apavorado.

um lado da vida é luz. e esquenta o escuro desespero.

o outo lado é desespero e medo. pra mim.

pra muita gente, dizem. prefiro apenas pra mim.

e o medo do outro. o trauma do sexo. o ódio do medo de amar.

aonde nós vamos no fim?

é preciso esperar pelo fim. ele vem.

é preciso vencer a vida no fim.

obrigado pela visita

02
Sep
19

Colégio Militar

bom dia e obrigado pela visita.

26
Aug
19

louis ck

bom dia,

acho que esse texto é o mais importante da história desse blog.
se voce frequenta aqui… peço que não se assuste pelo tamanho e tema e tente ler… eu botei muito nele.

eu já devia ter feito minha biografia aqui. daria uma base para argumento.
mas é difícil pra mim e uma coisa não justifica a outra.

te vejo no inferno, louis ck.

eu sempre assisti comediantes americanos. o norm macdonald sempre foi (e ainda é) meu comediante norte-americano favorito, é quem eu recorro sempre que preciso que me tirem das garras de alguma tristeza profunda sobre quem eu encontro no espelho. nivela por baixo a realidade. põe meus infinitos defeitos em contexto para que eu possa aceitar que estou vivo e não sou assim tão aberrante no mundo… salvou minha vida várias vezes. e foi o único a argumentar a respeito da humanidade do louis ck, quando todos (inclusive eu) correram.
comecei a assistir ele quando ainda estava no saturday night live, depois conheci o seinfeld, mais ou menos na mesma época. quando surgiu o youtube, eu pirei… veio uma nova (pra mim) e inesgotável fonte de humor estranho… george carlin, richard pryor, steven wright, steve martin, Eddie Murphy, larry david, mitch hedberg, doug stanhope, sarah silverman, dave chappelle… bill cosby….

o bill cosby tinha um lance de contar histórias de um jeito engraçado, com uma cadencia (eles chamam de timing) incrível… tipo um chico anísio negro, sem as imitações… elegantão, limpo e engraçado pra cacete.

…até aparecerem cinquenta mil mulheres que foram drogadas e estupradas por ele…

dizem que ele continua engraçado até hoje, mas eu não assito mais.
aqueles escandalos tiraram a graça das piadas… decepção forte demais pra ficar rindo de mãos dadas com meu estuprador favorito… algumas pessoas perguntam “voce não consegue separar o homem da obra?”
não, eu não consigo…

mas vamos em frente… eu sempre me considerei um feminista, um cara feminino, me considero gay em muitos aspectos… acho que eu posso ficar tranquilo a meu respeito…

aí apareceu o escândalo do harvey weinstein.

o cara é o clássico escroto do cinema, teste do sofá e tal… tem mais é que se foder mesmo… tudo bem.

eu ainda via uma clara linha de separação entre eu e ele…

já haviam os rumores de que o woody allen é pedófilo (nisso eu nunca acreditei, não sei dizer por que, mas ainda não acredito… acho a história muito estranha… a mia farrow muito estranha… a relação dele, por mais estranha, parece saudável com a mulher de quem ele um dia foi pai adotivo…) doideira… mas a história não é conclusiva. não parece nada que fuja ao humano. não sei… ainda acredito no woody allen.

e nesse meio tempo meu casamento acabou.

meu casamento era o inferno… não fez bem pra ninguém.

eram brigas horríveis… todo dia… por motivo nenhum.

minha ex-mulher era diabética, eu era traumatizado por uma infancia ruim. ela tinha um temperamento muito diferente do meu e a casa era só infelicidade…

nas nossas brigas, eu tentava falar… ela não ouvia…
eu tentava ir embora, ela rasgava minha roupa…
eu segurava ela pelo pulso. machucava.
queria matar ela. de raiva, de frustração. empurrava.
ela me xingava, dizia que eu era um merda, ria da minha cara.
gritava pra vizinhança ouvir.

chamamos a polícia uma vez
“eu vou chamar a polícia!!”
“não. eu vou chamar!”
chamamos.
tomamos esporro do policial juntos.

nos separamos pelo bem da nossa filha, que não merece isso e não pode crescer achando isso tudo normal.

mas eu não era feminista?
não era eu preocupado com direitos iguais?

que porra é essa?

como foi que eu cheguei aqui?

não sei. mas está errado.

procurei ajuda na delegacia da mulher uma vez… orientação… mas a lei só dá conta de casos gravíssimos, já em litígio. não tinha nada para o homem que queria mudar além de conselhos, naquela época. 2013.

tive outro relacionamento, de lá pra cá.
outros erros… mais fundo na lama… mais certeza de que eu não sou um cara legal… que vou morrer sozinho por que mereço.

sempre quis mudar. não sei se vou.

quer vir aqui cuidar da minha asa quebrada? tadinho de mim…

não sei se tenho a capacidade de reprogramar um cerebro que tem nele tanta agressividade imprevista… eu achava que amava as mulheres.. eu achava que sabia quem eu era…

aí veio o louis ck.

que assunto delicado…

já faz 2 anos desde que o escandalo dele apareceu e eu ainda não consegui falar disso aqui. por que eu quero muito dizer minha opinião e não me esquivar.

falar sobre o louis ck é falar sobre homens.

aberrações agressivas. os homens que não amam as mulheres.

mas ele não… ele amava as mulheres.

a obra dele tem no miolo um coração que discutiu o lado negro de ser humano, de ser homem, filho de mãe solteira, pai de duas mulheres e corajoso pra caralho…

o louis ck sempre falou das tragédias pessoais… como a primeira experiencia sexual dele foi justamente se masturbando para uma menina que ria dele, de como ele gozou rápido demais, do sentimento de humilhação que ele guardou, relacionado ao sexo.

o louis ck é uma aberração. não um monstro.
tem uma diferença entre quem carrega esse monstro sabendo que carrega e quem não se arrepende, nem se expõe. eu acho que tem.

e eu acho importante a distinção, por que condenar o louis ck é condenar o que nesse assunto todo me parece o melhor em nós… que é a vontade de mudar. que é a coragem e a franqueza de se expôr falho…

óbvio que nós não somos perfeitos. óbvio que o patriarcado é uma mentira e precisa ser derrubado. e é justamente o discurso de pessoas como o louis ck que serviam de armas para derrubar esse monstro… por que era monstro contra monstro… godzilla contra king ghidorah. os dois vão destruir a cidade e talvez nunca nos livremos dos raios laser do godzilla… mas a gente podia destruir de uma vez um mal maior, ao deixar evidente o quanto é doentia a condição de manutenção do poder masculino…

não sei… sinto uma derrota na derrocada dele.
só a dele.
mas essa foi muito importante… derrubaram forte. e com intenção. isso pra mim é política do trump contra quem poderia ser uma voz contra essa situação que está se instalando no mundo agora… e vão derrubar todos nós… principalmente os que tem uma opinião válida… os que são ouvidos.

mas a idéia é destruir toda a humanidade.

o louis ck pra mim é uma aberração.
demasiado humano. e tendo que andar pelo mundo. pagar contas. criar duas filhas mulheres esperando que elas um dia sejam mais bem ajustadas e quem sabe felizes. desse jeito.

“one of us.. one of us… one of us…”

obrigado pela visita.




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