Author Archive for daniel og

12
Jul
19

A gata preta e a borboleta

bom dia e obrigado pela visita.

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24
Jun
19

racista e homofóbico

bom dia,

racista e homofóbico.

eu sei quem voce é

eu também sou racista. involuntário.

um homofóbico de araque.

… só que eu entendo que eu to errado.

aceito.

é fácil aceitar quando voce tá errado. simplesmente aceitar.

eu não sou um herói… eu sou todo errado.
faço merda o tempo todo e magoo quem amo.

isso é verdade em mim. não é maneiro… nem era pra ser.

eu vi que sou racista por causa do edmilson,
meu amigo.
que participou da formação de todos os meus amigos quando éramos criança no colégio,
eu estudava naqueles colégios que não tem gente negra.
mentira, tinha sim. mas eram poucos.

inspetor gente fina, debelava nossos ardis de moleques ricos com envolvimento responsável…
eu não to falando apenas poéticamente, ele sempre teve nosso respeito,
o que era raro. e justo.

mas eu nunca o vi, no fundo do cerebelo, como alguém a ser registrado.
por que? não sei. mas é…
vou contar o que aconteceu. talvez voce me explique.

minha mãe morreu muito cedo, eu era muito moleque, 4 pra 5 anos.
se matou.
no dia seguinte me levaram pro meu novo colégio… saídos da nova casa…
um monte de novidade.

o ed era uma das pessoas que me acolheram.
meu colégio me fez sentir acolhido. meus avós e meus amigos.
me salvaram da infancia.
não fiquei psicopata pelo caminho por um triz.

bom. ele é negro. mulato.

eu não sou branco.
mestiço latino, veja bem…

aí passa o tempo.

na minha memória existia um Ed. com identidade.
mas nos meus olhos, havia um negro.

ele veio falar comigo no mercado. o mesmo carinho.
(ainda é, mesmo depois disso tudo)
haviam 2 mulheres com ele… imagino que ele disse
“esse menino deu trabalho… meu aluno…”
e eu não reconheci o ed.
pior.
confundi ele com outro conhecido,
motorista, também negro,
de um vizinho do meu avô.

racista.

homossexual.

e eu passei a vida inteira lutando com o medo de ser percebido homossexual.

sento do lado de um homem e sinto medo de sentir desejo.
sou do tipo que controla pra não dobrar o pulso demais.
pra não desmunhecar.

presto atenção no lado da orelha que tô usando brinco…
um merda.

não é medo dos meus amigos gays…
com eles me sinto em casa.
com eles não sinto a comparação de tamanho de piru,
que os homens amam lamber uns nos outros… cheios de medo.

não sinto medo do desejo, por que não é isso que eles querem de mim.
ninguém hostiliza os amigos com sexo.
o desejo é o amor do animal pela carne. não revire o rosto pra carne.
é só no toque que existe o amor. então não tema, menino… não tema…

se não existe desejo não ame e não tema.
o desejo não deixa errar.

do que eu sinto medo é de homens.
extremamente agressivos uns com os outros…
da forma como exigimos reforço e confirmação de nossa masculinidade
nos enchendo de medo o tempo todo. uns aos outros.

senão não é mais homem.
perde a carteira do clube.

não pode andar pro lado, não pode olhar pra cima,
a mão fica assim, a perna tá meio torta.
“quer o que? hein?”… hahahah… olha que frágil… olha que frágil….
toca ali pra ele ver o que é!
se ele se ofende cospe no chão e chama de alguma coisa bem ruim!
depois ri. tudo certo. deixa de merda…

sei que é piadinha… sei que é a etiqueta… mas sei lá…
tenho saco não.

me incomodo com isso e tenho isso em mim.
bem gay, assim…

homofóbico.

agrido também.
sou agressivo por ódio.
em vés de amor sinto ódio às vezes…
muitas vezes…

vezes demais.

desculpe natasha, desculpe a todas as mulheres que eu fui um monstro…
não sei por que sou monstro…
sei sim. mas não quero dizer por que… outro texto…
por que eu rejeito algumas, me prendo em outras.
prender que é igual cadeado… vicia igual a heroína.

duas pessoas trancadas em um quarto, usando heroína psíquica.
vício em sofrimento. só mais esse argumento. só mais um…

é uma merda ser tudo isso por dentro. eu não aguento. cansa.

é sentir um pouco demais.

terapia, meu amigo.
lacan, eu recomendo. lógica. consideração ao fato que és animal.

que és bicho forte e valente, que quer brigar.
que quer resolver pra já. pra agora! porrada!
não importa o hematoma. não importa a marca.
a razão.
não importa.

é um bicho que deve se saber bicho!

bicho que se aceita bicho.

bicho.

só bicho.

obrigado pela visita.

08
Feb
19

CAPITÃO!!!

bom dia,

história nova para uma publicação da Marsam. na frança!

é tô ficando assim…

obrigado pela visita

 

23
Mar
18

ponto de fuga

bom dia,

existe um ponto no horizonte chamado fuga,
ele nunca chega.

o horizonte tambem não é assim muito melhor do que ele…

obrigado pela visita.

19
Apr
17

Lunático

aqui vai ter um desenho

bom dia,

não sei se já notaram os rituais. que todo post começa com “bom dia” e termina com “obrigado pela visita”, não sei se já notaram as repetições dos rituais. o tom terapeutico do blog, a falta de ridículo, de senso de limite. o uso de maiúsculas. as formas de lidar com a realidade. com o senso de realidade. afinal, o que é a realidade? no final, só existe o senso! o sentimento de realidade.

não é fácil ser um lunático, enfim.

a impressão que dá é que não confiam em mim. não confiam que os sistemas criados pra levar a minha  vida sejam realmente eu. e eu é tudo que existe ao meu redor. eu cercado de eu projetando eu em todo mundo enquanto todo mundo julga quem sou eu. enquanto eu tento me livrar de mim.

a vida do lunático (desse lunático) é uma espiral sem fim, apontando pro umbigo, para mim, girando para dentro e EU tentando parar a espiral… inverter a espiral… pare espiral… pare de girar… gire para fora, ó espinhuda espiral….

tendo filha pra criar e trabalho e responsabilidade e não podendo descansar. nunca. por que se não… se vira mendigo! e o medo de um dia virar mendigo. pense em um liquidificador. e o medo de morrer só, pelo pavor, pela desconfiança que se causa de não ser exatamente a construção que se constrói. e se não for? o que sobra de mim se eu não for seja o que quer que for que eu construí pra eu poder ser eu? o que então sobra de mim?

e a espiral gira pra dentro….

obrigado pela visita

11
Mar
17

Essa bela juventude

Bom dia,

Essa bela juventude,
Harry Potters tocadores de fanfarra.
Juventude de purpurina colorida,
bandeiras e tronos de todas as causas hasteadas
em livros de quadrinho prepotente,
Autobiografias imponentes,
talento gráfico, poesia de boteco, bigodes,
feminismo real.

Essa bela juventude,
desperdiçada em violencias de golpe.
Em mini ditaduras, desperdiçada,
Suporte involuntário de fascismos portáteis,
desperdiçando tempo
contra a sabedoria mal informada
de quem joga tempo fora
debruçada em letras velhas
de quem diz que “no meu tempo que era bom…”
Era nada…

Essa bela juventude,
Poderia ser a melhor das gerações…

Obrigado pela visita.

20
Oct
16

A mão que te oprime

MAO NA NUCA.jpg

bom dia,

esta é mão invisível que oprime a tua nuca. que esfrega a tua cara no chão. a mão que silencia teus desejos e te fala em cobiça.

a vontade que monta na tua, parasita, que converte tua necessidade em ridículo esperneio  de criança mimada.

essa é a mão que te chama de pequeno a cada salto. de veado a cada sentimento exposto. que diz que a tua música não presta, que não vai ser nunca ouvida. que teu esforço é fútil e vai morrer na praia. que te manda pra cozinha. que te cala quieto na tua noite solitária. que separa bandos.

esta é a mão que te afaga quando voce quer morder. quase dá uma síncope nervosa tanta contradição. que tem a cara do teu irmão. que tem a voz dos teu avós. e empurra o vento furioso goela abaixo e te mantém em animação suspensa, carcará congelado em lãmina d´água que é o silencio.

esta é a mão do silencio. do silencio de quem é dono dos espaços. de quem divinamente amplia a rua de cada vizinho bem comportado pra dimensão de um universo que é só casa vazia, que é só janela apagada na rua da madrugada escura. a mão que te dá muito mais estrada do que é possível caminhar, pra se perder, pra não enxergar nem estrada. nem nada.

a mão que te deixa de cabeça abaixada.

obrigado pela visita.




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