20
Feb
12

O CARNAVAL

bom dia,

na minha rua um pessoal botou uma caixa de som em cima do muro tocando samba pra rua. a caixa é em frente a um ponto de onibus e tem umas árvores… o som não propaga muito. fica ali. tocando samba de escola pro pessoal que pára ali ouvir. uma gentileza.

eu não páro muito. não vou fazer pose de apreciador “ah sim. portela, 1987…” passo pra ir na padaria ou na oficina, ver meu carro. mas fico feliz de ver que isso existe. eu assisto as escolas de samba na televisão. levo minha filha nos blocos. quero que ela seja uma menina feliz e cantando ao sol! justamente por que eu sei como é não ser.

só que hoje de manhã eu fui a um bloco infantil com a minha familia. tudo foi lindo enquanto estavamos na zona sul. mas o tempo que nós ficamos sentados no ponto de onibus na volta é prova que o carnaval não é pra quem compra o material da fantasia no saara pra montar a fantasia o ano inteiro. minha filha é uma menina de 1 ano e 11 meses e ficou torrando num ponto de onibus cheirando a mijo sem um banquinho nem reforma maravilhosa de milhões de dólares… e eu moro em um bairro de suburbio dos mais caros.

minha experiencia com o carnaval foi a de quem enchia a cara de cachaça e vomitava no meio fio depois de uma série de tocos de meninas gostosas. vida de playba. o carnaval não devia ser pra mim. mas como é feito pra turista com dinheiro, como tudo aqui. acaba que é.

o velho do desenho aí em cima, por exemplo, canta em um salão fedorento, pra um monte de rico se sentir pitoresco e fazer biquinho, se sente rei por aquelas horas, por que ama o que faz, mas eu te digo que cruzei com ele várias noites, voltando pra casa, já sem o chapéu, só os suspensórios, secando o suor da cabeça no silencio de quem sabe que o onibus ainda vai demorar pra caralho.

obrigado pela visita


4 Responses to “O CARNAVAL”


  1. February 22, 2012 at 2:25 pm

    Parabéns ai! Muitas felicidades e sucesso com o seu livro. Acabei de ler o artigo na Folha de S. Paulo. Fiquei feliz e desejo a você tudo de bom.

    • February 23, 2012 at 5:44 pm

      tardes! quanto tempo, sr…
      brigado, cara! tamos aí, mesma coisa. esse sucesso todo é muito bom,
      mas dá um pouco de medo, por que da primeira vez que eu saí em busca
      dele voltei pra casa cheio de frustração. é uma ilusão estranha.
      parece que vai mudar tudo, mas voce tem que ter o lado capitalizante armado
      e não pode simplesmente descansar quando chega lá.
      mas eu não vejo sentido nisso… pra mim o sucesso devia significar justamente
      “agora eu posso descansar…”
      não é.
      então vou continuar fazendo as mesmas coisas. assim não decepciono meu
      puritanismo, nem minha ambição.

      abraço grande!

  2. February 22, 2012 at 9:13 pm

    Confesso que nunca fui muito de gostar de carnaval até pouco tempo. Antes para mim o carnaval era apenas uma desculpa para os outros beberem e se sentirem livres para fornicar tudo e todos.
    Mas isso não é válido, já que os blocos de ruas da minha cidade são todos desvirtuados, mas um especial tem meu coração. O Bloco do Depois A Gente Se Vira nunca se deixou levar, não trocou as marchinhas por axés, não trocou a cerveja gelada por ácidos e vodka com sucos “não tão naturais”, não trocou a alegria pela arrogância dos desejos sexuais alheios.
    Bem, não sou do carnaval, sou meio doente da cabeça e bem doente do pé, mas a três anos eu visto meu chapéu de Cowboy azul e sigo na gandaia em todo primeiro dia de carnaval.

    • February 23, 2012 at 5:54 pm

      eu acho que precisamos fazer essa experiencia valer a pena, senão o mundo vai cada vez ficando menor e nós não crescemos em nada com a diminuição dele.
      cada um tem que fazer o que gosta ou que deve e saber que existem outras pessoas, diferentes mas no fim somos todos quase a mesma coisa. uns um pouco mais nobres, outros um pouco mais espertos. mas no fim somos todos cheios de erro.
      se a gente se preocupar demais com os erros dos outros, ao invés de cumprir nossas “missões” (não no sentido religioso! no sentido de vocação, sei lá de missão, porra!), ou se a gente se guiar pela festa dos outros e não fizer a nossa, não vai ter feito sentido isso tudo.
      mas a fornicação não me incomoda não… hahaha
      abraço grande sr!


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