bom dia,
abaixo segue o texto publicado na revista “CARTA NA ESCOLA”. Versão não editada.
(o carta capital no título foi meio roubado, voce se importa?)
bejocas sortidas pra minha “editora/instrutora” na empreitada, Tory Oliveira!
“RESPEITO AOS MESTRE” – Daniel Og.
Sempre tive muito respeito pelos meus professores. Do meu jeito! Mas é verdade…
Culpem meu pai. Costumava dizer que respeito aos mais velhos é coisa duvidosa. Que mais certo é ter respeito por quem merece. Eu aprendi isso bem. Até hoje é preciso esse tipo de respeito merecido para ser meu amigo. Mas foi preciso um respeito maior para ser meu mestre. E não era a idade nem a amizade que me faziam respeitar quem me ensinava. Era a insistência.
Em primeiro lugar eu era uma criatura odiosa. Minha lista de infrações ainda me dá orgulho e não fossem os apelos da minha avó (deus sabe o que ela teve que fazer pra me manter na escola!) eu estaria hoje limpando as mesmas latrinas que um dia tentei explodir…
Outra nobre questão é que o educador precisa enfiar nos crânios duros de uma criança melequenta o que é ter um cérebro e usá-lo – Sem recorrer a ferramentas agudas! – e isso às vezes significa ser um amigo, outras uma criatura medonha. Mas quase sempre é um esforço colossal por alguém que simplesmente não merece. Insistência.
Minha professora preferida tinha uma pinta bonitona na boca, dava aula de português. Acreditava que um dia ouviria falar de mim, por isso fazia questão que eu fizesse um esforço, que não queria aluno seu dando vexame publicamente. Eu, é claro, não fiz o esforço. Mas anos depois, quando fui tratar do espírito em um centro de mesa branca e a encontrei consultando, preferi saber pela minha professora se tenho ido bem, por que a pomba-gira me olhou meio torto.
Os professores de história sempre fizeram a matéria ser prática. Útil. Acho que todo professor de história, no fundo, é assim. Nos ensinam como passar pelas barreiras de uma grande burrice nata. Meu contato com a realidade seria parar o carro no sinal de transito, não fosse pelas perguntas certas. De como o acumulo de alguns acertos e dos muitos erros criam o estado atual das coisas. Eram poucas – loongas… – horas do dia, mas eu me lembro! Eu me lembro…
Alguns professores conquistavam pelo que parecia amizade mas que eram na verdade maliciosas técnicas letivas. Intervalos viravam desafio de piadas de salão entre os alunos e a velhacada. Alguns, e isso não devia estar nos planos deles, eram tão acirrados que entravam pela aula afora. Mas nós, moleques, Sempre ganhávamos.
Eu até entendo agora que eles não podiam contar as mais cabeludas… Azar! deixaram as melhores pra nós!
A professora de reforço, quem me ensinou matemática, deixava que eu resolvesse os problemas com o meu desenho. No fim eu realmente passava de ano. Talvez minha dedicação à matéria durante o ano letivo tenha sido debilitada por essa amizade. Ficava esperando o ano inteiro alguém que me deixasse usar o que eu sei pra resolver o que eu não sei.
Claro! Tinham professores que eu achava Chatos. Feios. bobos. Fazia minhas piadas e dançava pela classe embrulhado em bolinha de papel com cuspe na ponta. Mas pensando naquele tempo hoje, o professor bobalhão era um cientista. Lutando por se fazer ouvir por uma turba de filisteus. A professora neurótica que eu xinguei uma vez, era uma pessoa adulta sendo afrontada por um fedelho mimado que ela não queria ver desperdiçar a vida expulso do colégio. Também tinha a coisa de eles não poderem xingar de volta!
Mas a ultima risada sempre foi desses professores, os que eu não soube respeitar. Por que a sala de recuperação estava sempre esperando por mim… ainda bem. Eu detesto limpar o banheiro.
obrigado pela visita.




















