bom dia,
na minha rua um pessoal botou uma caixa de som em cima do muro tocando samba pra rua. a caixa é em frente a um ponto de onibus e tem umas árvores… o som não propaga muito. fica ali. tocando samba de escola pro pessoal que pára ali ouvir. uma gentileza.
eu não páro muito. não vou fazer pose de apreciador “ah sim. portela, 1987…” passo pra ir na padaria ou na oficina, ver meu carro. mas fico feliz de ver que isso existe. eu assisto as escolas de samba na televisão. levo minha filha nos blocos. quero que ela seja uma menina feliz e cantando ao sol! justamente por que eu sei como é não ser.
só que hoje de manhã eu fui a um bloco infantil com a minha familia. tudo foi lindo enquanto estavamos na zona sul. mas o tempo que nós ficamos sentados no ponto de onibus na volta é prova que o carnaval não é pra quem compra o material da fantasia no saara pra montar a fantasia o ano inteiro. minha filha é uma menina de 1 ano e 11 meses e ficou torrando num ponto de onibus cheirando a mijo sem um banquinho nem reforma maravilhosa de milhões de dólares… e eu moro em um bairro de suburbio dos mais caros.
minha experiencia com o carnaval foi a de quem enchia a cara de cachaça e vomitava no meio fio depois de uma série de tocos de meninas gostosas. vida de playba. o carnaval não devia ser pra mim. mas como é feito pra turista com dinheiro, como tudo aqui. acaba que é.
o velho do desenho aí em cima, por exemplo, canta em um salão fedorento, pra um monte de rico se sentir pitoresco e fazer biquinho, se sente rei por aquelas horas, por que ama o que faz, mas eu te digo que cruzei com ele várias noites, voltando pra casa, já sem o chapéu, só os suspensórios, secando o suor da cabeça no silencio de quem sabe que o onibus ainda vai demorar pra caralho.
obrigado pela visita






































